Uma conversa com alguns alunos iniciantes na corrida me trouxe lembranças da primeira prova de rua que participei.
31 de dezembro de 2001, participei da corrida mais esperada do ano pela grande massa de corredores: 77ª Corrida Internacional de São Silvestre.
Ansiedade, emoção, medo,alegria, tensão. Uma mistura de sensações tomavam conta de mim. Nunca havia estado em uma largada. Ficava observando o "ritual" de cada uma das corredoras, como elas faziam o aquecimento (nem sabia esta nomenclatura naquela época, só sabia que tinha que fazer), suas roupas, suas conversas, pois me sentia não fazendo parte ainda daquela esfera, pois corria há apenas 3 meses.
O que eu queria naquele dia era conseguir terminar aquela corrida, tinha que fazer muita força para conseguir este feito, pois neste momento ainda enfrentava e tentava vencer todos as ameaças de um distúrbio alimentar*, e a corrida, por mais estranho que seja, era a minha aliada nesta disputa.
As mulheres largavam separadamente dos homens, por volta de 1 hora e 45 minutos antes, mais exatamente as 15:15h, em um sol de rachar em pleno horário de verão. Neste ano os vencedores foram no masculino, um atleta da Etiópia, Tesfaye Jifar, e no feminino, a brasileira Maria Zeferina Baldaia.
Mesmo há tanto tempo deste dia, lembro de praticamente tudo que vi. Não somente com relação as corredoras e ao desafio de correr, mas também das pessoas que se espalhavam por todo percurso, batendo palmas a todos que passavam por lá unidas a palavras de incentivo.
Realmente aquele era um mundo diferente, era o "Mundo da Corrida". E eu estava a partir daquele momento me inserindo nele.
A partir desta prova minha curiosidade aumentou ainda mais, queria saber como aquelas mulheres corriam, como eram seus métodos, por que elas eram mais rápidas, e será que um dia eu conseguiria correr mais rápido também.
Consegui completar a prova, e ao visualizar a linha de chegada, chorei muito. Recebi a minha primeira medalha e junto com ela toda a emoção e bem estar que a corrida proporciona.
E assim passaram-se praticamente 14 anos, um período que ocorreu muitas mudanças na minha vida, e a corrida sempre esteve presente em todos eles, como uma forma de refúgio e inspiração.
*Nesta postagem o por que comecei a correr: http://correreminhavida.blogspot.com.br/2012/10/por-que-correr-e-minha-vida.html